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Então eu fui ao terapeuta pra confirmar o que o Muta tinha dito ao meu respeito “Você é hiperativa”, dissera o meu amigo paulista. Cheguei ao consultório com uns 10 minutos de atraso, e fiquei na sala de espera mexendo em todas as revistas que encontrara, rabisquei umas paredes com canetinha da Faber Castell, destruí a planta de plástico que enfeitava o minúsculo vestíbulo, toquei o sininho que indica que clientes novos chegam umas três vezes, sacudi a perna com inquietude típica de criança que quer fazer alguma maldade com a professora e então veio o terapeuta, com uma cara de chuva típica de pessoas muito, muito calmas. Mudei totalmente de comportamento para que ele não percebesse o que tinha feito na sala de espera, fiz cara de anjo. - Oi, querida, quanto tempo! - É! - Como você está? Olhei pra cara dele, esbugalhei os olhos, virei ligeiramente o rosto e disse, rápida e com uma voz bem alta: - Estou bem! Hihihihihihi - Que bom! - disse. E aí, como foi a semana? - Foi ótima. Assinei contratos com uma emissora. Vou ter um programa infantil – levantei os braços e fiz um outdoor no ar - Vai se chamar “Avó Peluda e amiguinhos”. Não é o nome definitivo ainda; estou aguardando sugestões. - E você acha que pode disfarçar sua tendência a assassinato num programa de TV, Peluda? - Bom... Achar não acho não, seu Nestor, mas eu creio que vou ajudar muita criança carente da rua, vou ensinar as donas de casa a preparar verdura, fígado, para alimentar os pequerruchos... continua (se eu conseguir inventar mais Avó Escrito por Avó Peluda às 16h10 [ ] [ envie esta mensagem ] Idéias Mutantes Eu tenho uma mente muito cinematográfica; penso que (quase) tudo pode e deve virar cena a ser filmada, fotografa ou recriada em um texto literário. Outro dia, passeando com pessoas queridas (e uma mais querida que a amizade) pela praia de Copacabana, avistei uma senhora tão tão tão interessante que deveria virar ícone da cultura carioca. A mulher simplesmente era uma lenda vida (para usar o clichê!), com os cabelos que iam do roxo ao vermelho sem problema alguma para a vida de quem observa, uns óculos enormes, enfim, uma presença enorme! Dia desses, no metrô, todo mundo gritou: IH! OLHA LÁ: UM CEGO GUIANDO OUTRO CEGO! Qual não foi a minha surpresa ao virar e realmente constatar a cena perigosa e fotografável - realmente eram dois cegos dando-se instruções e bem longe da escada que dava acesso à rua. Cairiam os dois num buraco? Isso, com certeza, não seria registrável. O que quero dizer é que sinto muita falta de uma máquina fotográfica, de uma caneta o tempo inteiro, de uma filmadora super 8, pra pelo menos ter um acervo de tudo o que contemplei durante o dia. Tudo de interessante, tudo de mutante, tudo de gente que não teria o que fazer além de ganhar uma bolsa de mestrado da universidade e estudar muito. Não consigo às vezes dormir por ficar imaginando e imaginando como eu poderia fazer isso, como deveria ser exposta uma homenagem a Cecília Meireles ou como vai ser que vou pagar aquela conta que está quase me mandando para o SPC. A verdade é que adoro pensar e descobri isso há poucos dias quando me veio uma fome incrível por ler tudo o que me vem à frente. Em dois tempos, li 3 livros; devorei uns quinhentos jornais e quase descolo minha retina quando pelos coletivos da vida fico com a cabeça pendendo sobre a os periódicos da universidade, redações de alunos para corrigir... Não foi então que o inominável ocorreu! Estava em casa nessas imaginativas sessões de não-ter-o-que-fazer, e toca o telefone – ligação de São Paulo – quem seria ? Quem! O Muta! Ele me liga de São Paulo pra me fazer descobrir o seguinte: Vó, você é hiperativa... (to be continued) Avó Peluda Escrito por Avó Peluda às 19h15 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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