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Aula de português é algo de que entendo muito bem. A velhinha aqui é professora da matéria que põe pesadelos na cabeça de milhares de moleques melequentos dos cinco aos 80 anos de idade. Vive-se no País sob a espada do “não se fala bem o português aqui” ou “brasileiro não respeita a gramática” – e quem disse que a gramática tem de ser dramática? Quem disse quem disse que tem de haver tanto derramamento de sangue no ensino da língua? O que ocorre é que além de ser super estigmatizado o ministério da disciplina, mentem muito no ensino dela – confundem-se critérios e a confusão se instala pra sempre e sempre na cabeça de milhares de pessoas. Um círculo realmente vicioso. Realmente mentiram pra você quando: disseram que sujeito é o termo do qual se faz uma declaração: repara na frase: Esse bolo não vou comer”. Qual o termo do qual se faz uma declaração? “Esse bolo”. Quem não vai comer??? “Eu”. Quem é o sujeito então, cara pálida! Ódio. afirmaram que o advérbio é um termo invariável Ah! Ta bom! Diz isso pra quem mora no Tocantins ou no Amapá – estados lendários! Moram lonjão, e pertinho da linha do horizonte. deram a definição de frase declarativa errada: Diga-me se “Eu vou declaro marido e mulher” não é uma frase declarativa ou eu ganho um pacotinho de pipoca Emília. disseram que “abraço” e “beijo” são substantivos abstratos: O sentimento que envolve as duas ações pode até ser, mas o beijo e o abraço ah! são bem concretos, ainda mais quando não são na testa! Escrito por Avó Peluda às 16h51 [ ] [ envie esta mensagem ] APERTE O GATILHO Maldade e professores são quase-sinônimos. Não é a toa que sou professora! hehehe! É pensando no parentesco dos mestres com Renato Mendes, Laura Prudente da Costa e Laurinha, em Rainha da Sucata,que escrevi este novo post. Se você também odeia seus professores, arma em punho! Aperte o gatilho! VIOLETA - Violeta/Violenta/Violeta-rima-com-capeta – essa mulher é terrível, temida em toda a faculdade de Letras; viveu uma transformação incrível – mas continua violenta. Nota mais alta nas turmas dela? 2,5, 3,4 – experimente ficar roxo como uma flor. Violeta, uma flor de pessoa... Escrito por Avó Peluda às 16h11 [ ] [ envie esta mensagem ] Crônica às estátuas Houve um tempo em que as estátuas estavam absolutamente mudas, sim, elas não expressavam mais nada além de uma posição etérea, comprometida com o tempo, espaço, com a memória e com o estar-no-mundo estáticas – como seu próprio nome sugere. As estátuas sempre prezaram por ficar ali, paradas, frias e mudas – sem força, hemos de convir – aparentando uma força de contemplação e verdade que só os deuses do Olimpo poderiam ter. Um dia, os artesãos decidiram dizer não pra toda essa chateação de estátua parada, sem força, sem fio, sem fé, sem posição nenhuma além daquela posição tão etérea e comprometida com o tempo e o espaço. Foi algo quase de inconsciente coletivo (pra lembrar Seu Young), decidiram então, lá pelo século XVIII desenhar e formar esculturas que pudessem expressar, além da beleza e da idéia de sublimação (aquele processo em sólidos viram gás num passe de mágica que dura semanas, anos, milênios), gritos, dores, descontentamento – elas ganharam movimentos. Movimentos contíguos aos da humanidade – deixaram de participar de uma transformação condicionada de sólido em ar e passaram a estar cada vez mais fundidos a terra. Muitas estátuas se perderam: por onde anda, por exemplo, aquela que mostrava a glória de D. Sebastião ou de Duque de Caxias ou de D. Pedro ou de D. Quixote ou de Zeus ou de um monte de mentiras sobre as quais a humanidade montou como estão todas as estátuas: montadas sobre cavalos e cavalgam pela história. Ontem, uma menina mordeu um bolinho mordido – virou estátua num lixão aqui perto das casas; virou urubu – lá onde se fundem e sublimam os lixos e os restos que vão pelos ares da cidade. A menina que mordeu um bolinho mordido se chama Estátua - ela diz todo dia que a vida não tem mais nada que fazer comer e trabalhar Estátua não trabalha Estátua não vive Estátua não sai do chão em que está fundida Estátua não come nunca comida que os seres humanos devem comer. E junto de outros e outros monumentos do seu tempo, estátuas que brincam em meio a tantas casas que não são as suas Estátuas que não entendem o que vêm fazer na esquina em que são contempladas todos os dias e as janelas dos carros riem se riem por não poderem tirar da arte o grotesco - o concreto eh sempre definitivo. Escrito por Avó Peluda às 20h50 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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