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![]() Escrito por Avó Peluda às 18h10 [ ] [ envie esta mensagem ] Ontem fiz uma verdadeira maratona na TV – vida de desempregado neste país é assim – e me deliciei com o penúltimo capítulo da novela Celebridade, que, aliás, nos faz até tecer comentários no Mestrado. A questão é que Celebridade realmente vale nossa vista periódica, quiçá diária. Por quê? Simplesmente pelo fato de reproduzir a cultura de massa de um país que vive a ideologia do “quero cair fora”, além do tema principal do folhetim: a busca insaciável pelos quinze minutos de fama e a efemeridade do conceito de popularidade. Mas isso é coisa pra intelectual ficar discutindo. A verdade é que a pergunta que vai ser respondida hoje, e não quer calar, é: Quem matou Lineu? Quem? Quem? Correm os jornalistas a tecerem enquetes e pesquisas, fotomontagens que põem os suspeitos no paredão. E nos perguntamos cada vez mais ansiosos: Quem matou Lineu? Mais uma vez, vai ser alguém que ninguém imaginava, apostas vão ser ganhas – engradados de cerveja e peixadas são os prêmios –, bolões de 500 reais em repartições e tudo o que envolve o bom exercício do jogo limpo e divertido. Durante esta semana recebi um e-mail hiper sem graça que descrevia os suspeitos – descartável. Acho que todo usuário do hotmail recebeu o spam também. O mais curioso era o fato de eles não colocarem, na lista de suspeitos, os bombonzinhos da Darlene – Darlin e Marlin; para mim e para uma legião de espectadores da novela de Gilberto Braga (que já virou festa do caqui), os possíveis assassinos são os gêmeos lindos da desnaturada Darlene - oa bombonzinhos. Continuo achando que os vilões não podem se dar mal, como é de prache acontecer. Se eles se dessem realmente bem, como sempre acontece com quem se aproveita da vida dos outros no País, talvez o autor mostrasse o quanto se aproximaria da realidade. É só no espaço da novela, aliás, que os mocinhos são felizes e os vilões se dão mal. No dia-a-dia é bem o contrário, ou as forças se equivalem. Já diziam os heróis do desenhos infantis: "o bem vence sempre o mal!!" Tomara que sim! AVÓ PELUDA Escrito por Avó Peluda às 17h59 [ ] [ envie esta mensagem ] Ontem, num intervalo forçado do Jornal Nacional, eu me diverti com a propaganda política como nunca antes fora possível. Afinal, desde de 2002 não éramos atacados pela enxurrada de candidatos com nomes esquisitos, mídis mais esquisitas ainda e propostas de governo que até Deus duvida, como distribuição de escovas de dente e quadras poli-esportivas. O programa era do PP – Partido Progressista, antigo PPB – e mostrava o trabalho dos seus vereadores no interior do estado do Rio. Foi muito engraçado! As figuras obviamente lêem uma dália (aquele papelzinho que a Bete fica segurando ao lado da câmera), que parece sempre estar torta, pois quanto mais lêem, mais vesgos ficam. Os olhos vesgos sempre combinam com o bigode e a cara de bebum, camisa quadriculada e chapéu, sempre o chapéu. ![]() Outros têm uma cara óbvia de salafrário: rosto grande, bem grande – tipo Jack Nicholson – um olhar de “Se você é trouxa, está contratado” e as infindáveis promessas de projetos de ajuda a gestantes adolescentes e oficinas de teatro com velhinhas carentes (!) laboratórios de higiene pessoal e construção de casas populares. São impagáveis também as pochetudas – eu explico – são aquelas políticas, sempre louras, com óculos escuros pendurados na blusa, pochete que a câmera não capta, mas você sabe que está ali, e um discurso do tipo: “Sempre fui uma mulher de fibra, de raça. Junto com o prefeito XXXX, alcancei muitas conquistas em Belford Roxo e toda a região da Baixada Fluminense; financiei, com recursos próprios, cursos de cabeleireiro e barbeiro para a comunidade da Favela do Rato Molhado” – a risada é incontrolável. É incontrolável não pelo preconceito, pois só pobre pode rir de pobre; é incontrolável porque a vida em si é muito divertida – programa político supera os limites do bom senso: sempre! Sem contar os grandes feitos dos políticos como: a distribuição em campanha de escovas de dente, réguas, bonés, camisas com malha super esticável (confira: camisas de político dobram de tamanho com os anos; quando muito viram camisolas e você acaba dormindo com o Zezinho do Posto, ui!); os beijos em velhinhas e crianças melequentas (que mães desnaturadas dão crianças para os candidatos beijarem e carregarem durante três passos?), além do churrasco após carreatas intermináveis em que moças de peruca e shortinho curto carregam e balançam bandeiras enquanto mandam beijinhos para o povo; ![]() as promessas de construção da Primeira Universidade Pública na Baixada Fluminense; da distribuição de disckmans para crianças carentes; da doação de frutas para ex-viciados em drogas; da construção de hortas e, repito, de quadras poli-esportivas; da retenção de encostas no centro da cidade; e da construção de portais com dizeres como: Seja bem vindo a Sumidouro! Daqui você nunca mais vai querer sair. Avó Peluda Escrito por Avó Peluda às 14h12 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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