Avó Peluda  


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Escrito por Avó Peluda às 16h18 [   ] [ envie esta mensagem ]





 

Ditadura da falta de educação


Osmar Soares






O poeta Renato Russo, numa de suas mais expressivas canções, afirmava que “Depois de vinte anos na escola/Não é difícil aprender/Todas as manhas do jogo sujo” e se pergunta: “Não é assim que tem que ser?”. A História respondeu essa pergunta de duas formas bem distintas: os que estavam na Escola, durante 20 anos da ditadura militar aprenderam na carne e no espírito não só as manhas do jogo sujo, mas também a perda da liberdade de expressão; os que estariam nos 20 anos pós-ditadura teriam a escolha de morrer sem a ideologia reivindicada por toda uma geração na voz de Cazuza – os anos 80 foram o início de toda uma apatia que culminaria na anomia critica e ética dos anos 90.


A ditadura militar liquidara o conceito de democracia e liberdade individual do País. Como um movimento político retrógrado e autoritário, ela prendeu, torturou, executou, cassou parlamentares, juizes e professores, instalou aparelhos como a censura, e uma mídia tendenciosa e alienante, que veiculava as ideologias do regime face à degradação de ideais comunistas mostrados como ameaça para a saúde do Estado e da ordem pública. A proposta do golpe militar se baseava, principalmente, na palavra “ordem” presente na nossa bandeira acompanhada de “progresso”, como sendo os compromissos de um regime que apresentava uma falsa idéia de calma, tranqüilidade e seguridade social. O militarismo promoveu a degradação dos bens públicos e instituições do governo – a escola pública, por exemplo, que era o espaço em que conviviam classes média e pobre passou a figurar como lugar preterido pela sociedade; mantinha-se uma qualidade no ensino e no funcionamento do sistema público de educação, mas, com o descarado liberalismo do regime, a iniciativa privada ganhou espaço e a escola particular passou a ser sinônimo, inicialmente, de qualidade e fuga para as classes mais abastadas.


No sistema educacional, as conseqüências do regime se vêem até hoje: degradação do estudo de humanidades, face à ênfase exagerada sobre as competências e disciplinas que levariam o “Brasil, país do futuro” ao desenvolvimento tecnológico; aumento da oferta de cursos profissionalizantes que garantissem formação para as classes mais baixas e conseqüente alargamento do funil de entrada nas universidades públicas; sucateamento, já comentado aqui, do ensino público nos níveis médio e fundamental – antigos 2º e 1º graus; divulgação descaradas das ideologias governistas através do estudo de OSPB (Organização Social e Política do Brasil), Educação Moral e Cívica, que visavam a pôr o cidadão “a par” conhecimento dos símbolos nacionais e positivismos brasileiros, nesta instância o “ordem e progresso” era mais visado que nunca; limitação das publicações, que passavam pelo crivo dos órgãos de censura – livros considerados comunistas eram deliberadamente impedidos de serem publicados. A escola funcionaria mais do que nunca como “aparelho ideológico do Estado” (ver Paul Altusser) e aqueles 20 anos em que se geraria uma consciência crítica no cidadão, entendida como sendo um dos papéis principais da educação, passaram a figurar como sendo os anos do Ensino Tecnicista, em que a força de expressão e liberdade de pensamento eram reprimidos por uma máquina de fazer máquinas – o regime.


Na época, a UNE – União Nacional de Estudantes – foi queimada e proibida; ela representava uma força contra o governo. A militância política contra-ideológica levantava lemas em faixas como “Abaixo a ditadura!” e “Povo armado derruba a ditadura”, numa convocação muito clara dos estudantes ao corpo a corpo e à manifestação destemida contra o governo. Nos 80, tivemos a geração coca-cola, filhos dos que viveram os 20 anos do Regime. Nos anos 80, os estudantes conheceram pela primeira vez a calma. Uma questão se levanta, porém: essa calma perdurou? O cinema desses anos mostra, por exemplo, o ressurgimento (e quiçá o surgimento) das cidades, a tentativa de volta ao desenvolvimento tão prometido nos anos de chumbo. A juventude que vai a esse cinema já não veste roupas naturais, nem põe faixas na cabeça, nem medalhões metálicos com símbolos como “Paz e Amor” ou o corpo nu de Woodstock; pelo contrário, eles vestem calças LEVIS ou LEE, bebem Coca-cola, escutam U2, refletem quando vêem “Pixote”, podem chorar quando sabem de sua morte, mas volta-e-meia se esquecem disso. O que a anistia em 82 e o fim da ditadura três anos mais tarde trouxe para a educação e para a consciência política do País? A nação se confirmou como sendo diversa e desigual – os que pensavam, usavam all star, mas cantavam com Cazuza e Renato Russo “Que país é esse?” e “Ideologia”. Entre a revolta e a apatia, a geração dos 80 é herdeira de pais revoltados e vislumbra com depressão o futuro de um país que começa a ter uma democracia em 89, vê seu presidente eleito morrer; seu sucessor inflacionar a realidade e as contas do Estado e o primeiro de uma série de Fernandos tornar o Brasil uma terra estrangeira para todos.


Em 92, a UNE abre a década de 90 pedindo nas ruas o fim da corrupção – o movimento estudantil poderia agora ser movimento sem derramamento de sangue – mas, o gesto ainda foi tímido para uma década de jovens alienados e apáticos. Netos dos “desbundados” de 60 e 70, agem segundo o movimento dos “bunda mole” de 90 e 2000, deslumbrados com os games americanos, as vitrinas e com o computador, geração herdeira de Xuxa e condicionada à apatia até um novo “boom” ou “desbunde” internacional. Os estudantes de hoje não sabem responder a um questionário sobre o que foi a guerra do Vietnã, ou em que consistiu o Golpe de 64, os movimentos estudantis de 68, o porquê do impeachement de 92. Sua consciência crítica vai desde aceitar a letra de um funk que canta a mais-erotização como válida num tempo de violência e falta de projeção social a ouvir, nas camadas mais abastadas, o mesmo funk com curiosidade de quem vai ao morro pra comprar as drogas com que se vicia nas quadro paredes com grades e segurança dos condomínios.


As manhas do jogo sujo – todo esse jogo descrito aqui – eram para realmente terem sido vistas e exploradas nos nossos 20 anos de escola, mas o Jornal Nacional o mostra e os clichês se repetem: “Brasil, país do futuro, até quando?” ou “O país não vai pra frente”. O JN é seguido pela novela que mostra a cultura totalizante e “viável”, nossos valores que não “derrubam reis, nem fazem comédia com nossas leis”. Que geração poderá realmente gargalhar? Que a escola o responda.


Escrito por Avó Peluda às 14h00 [   ] [ envie esta mensagem ]





VIDA INTELIGENTE NA MADRUGADA

Muito bem, depois de meses órfãos de Daltro Cavalheiro no comando do programa "Alegria, Alegria", estamos sendo presenteados pela RedeTV! mais uma vez; agora com o programa "Artistas & Companhia", comandado por Ravel (acho que é esse o nome dele).

[b]Descrição[/b]: O programa (?) passa às 2 da manhã de sábado, concorrendo com todas as maravilhas repetidas pela MTV, com as maravilhas caras da TV a cabo e com "A vida inteligente na Madrugada", isto é, "Altas Horas". Perguntem-me o que prefiro? É claro que é muito mais divertido ver o filhote-de-cruz-credo Ravel, com óculos escuros, cabelos mais crespos que os de Reginaldo Rossi, cantando: "Obrigado ao homem do campo/ obrigado ao trigo, Senhor/ Obrigado à toda a lavoura". O hit não se limita só ao homem e às coisas do campo não, ele também canta o tema universal da poesia, o amor e as brigas entre homem e mulher na cama.

[b]Diversão[/b]: Como Daltro Cavalheiro, Ravel divide o palco com uma moça, não tão gorda, não tão barriguda, não tão loura, não tão com uma lapa de nariz, não tão convencida quanto Kássia Franco - a que substituiu o Cavalheiro no fatídico desaparecimento dele.  A moça que acompanha o nosso novo e futuro ídolo é mais magrinha e mais, digamos, órfã de inteligência e devota da Santa Ignorância: "Então, vamos ver qual será nossa próxima atração?" Nisso, o Ravel lhe aponta ou lhe dá uma deixa que até Avós Peludas Míopes vêem, e ela vai até a próxima atração e diz: "E aí?". Muito bom.

[b]Atrações[/b]: Os números vão desde imitadores de Roberto Carlos com cara de doente até grupos de música baiana com meninas e menin(o)s dançando muito. Dançam muito.

[b]Platéia[/b]: Destribuídos em mesas pelo estúdio - mesas com flores de festa de 15 anos - eles sofrem com a câmera que focaliza os poros da sua pele facial, o gel no cabelo. Ou não. Quando se dá um close em alguma porporinada, elas sorriem enquanto balançam a cabeça ou os braços. Ótimo.

Já não ficarei com tanta depressão nas noites de sábado. Viva o trabalho árduo dos nossos produtores da TV brasileira.

Avó Peluda


Escrito por Avó Peluda às 13h12 [   ] [ envie esta mensagem ]





Então eu fui ao terapeuta pra confirmar o que o Muta tinha dito ao meu respeito “Você é hiperativa”, dissera o meu amigo paulista. Cheguei ao consultório com uns 10 minutos de atraso, e fiquei na sala de espera mexendo em todas as revistas que encontrara, rabisquei umas paredes com canetinha da Faber Castell, destruí a planta de plástico que enfeitava o minúsculo vestíbulo, toquei o sininho que indica que clientes novos chegam umas três vezes, sacudi a perna com inquietude típica de criança que quer fazer alguma maldade com a professora e então veio o terapeuta, com uma cara de chuva típica de pessoas muito, muito calmas. Mudei totalmente de comportamento para que ele não percebesse o que tinha feito na sala de espera, fiz cara de anjo.

- Oi, querida, quanto tempo!
- É!
- Como você está?
Olhei pra cara dele, esbugalhei os olhos, virei ligeiramente o rosto e disse, rápida e com uma voz bem alta:
- Estou bem! Hihihihihihi
- Que bom! - disse. E aí, como foi a semana?
- Foi ótima. Assinei contratos com uma emissora. Vou ter um programa infantil – levantei os braços e fiz um outdoor no ar - Vai se chamar “Avó Peluda e amiguinhos”. Não é o nome definitivo ainda; estou aguardando sugestões.
- E você acha que pode disfarçar sua tendência a assassinato num programa de TV, Peluda?
- Bom... Achar não acho não, seu Nestor, mas eu creio que vou ajudar muita criança carente da rua, vou ensinar as donas de casa a preparar verdura, fígado, para alimentar os pequerruchos...

continua (se eu conseguir inventar mais

Avó


Escrito por Avó Peluda às 16h10 [   ] [ envie esta mensagem ]





Idéias Mutantes

Eu tenho uma mente muito cinematográfica; penso que (quase) tudo pode e deve virar cena a ser filmada, fotografa ou recriada em um texto literário. Outro dia, passeando com pessoas queridas (e uma mais querida que a amizade) pela praia de Copacabana, avistei uma senhora tão tão tão interessante que deveria virar ícone da cultura carioca. A mulher simplesmente era uma lenda vida (para usar o clichê!), com os cabelos que iam do roxo ao vermelho sem problema alguma para a vida de quem observa, uns óculos enormes, enfim, uma presença enorme!

Dia desses, no metrô, todo mundo gritou: IH! OLHA LÁ: UM CEGO GUIANDO OUTRO CEGO! Qual não foi a minha surpresa ao virar e realmente constatar a cena perigosa e fotografável - realmente eram dois cegos dando-se instruções e bem longe da escada que dava acesso à rua. Cairiam os dois num buraco? Isso, com certeza, não seria registrável.

O que quero dizer é que sinto muita falta de uma máquina fotográfica, de uma caneta o tempo inteiro, de uma filmadora super 8, pra pelo menos ter um acervo de tudo o que contemplei durante o dia. Tudo de interessante, tudo de mutante, tudo de gente que não teria o que fazer além de ganhar uma bolsa de mestrado da universidade e estudar muito.

Não consigo às vezes dormir por ficar imaginando e imaginando como eu poderia fazer isso, como deveria ser exposta uma homenagem a Cecília Meireles ou como vai ser que vou pagar aquela conta que está quase me mandando para o SPC. A verdade é que adoro pensar e descobri isso há poucos dias quando me veio uma fome incrível por ler tudo o que me vem à frente. Em dois tempos, li 3 livros; devorei uns quinhentos jornais e quase descolo minha retina quando pelos coletivos da vida fico com a cabeça pendendo sobre a os periódicos da universidade, redações de alunos para corrigir...

Não foi então que o inominável ocorreu! Estava em casa nessas imaginativas sessões de não-ter-o-que-fazer, e toca o telefone – ligação de São Paulo – quem seria ? Quem! O Muta! Ele me liga de São Paulo pra me fazer descobrir o seguinte: Vó, você é hiperativa...

(to be continued)

Avó Peluda





Escrito por Avó Peluda às 19h15 [   ] [ envie esta mensagem ]





Lições de gramática

Os verbos de ligação:

estar morto

parecer degolado

ser trucidado por uma manada de javalis

andar à beira da morte

ser o Fred Grueger

 


Escrito por Avó Peluda às 20h57 [   ] [ envie esta mensagem ]





Gramática

 

verbos nocionais:

estrangular,

estirpar,

ver sair o sangue

atirar

degolar

matar

matar

matar


Escrito por Avó Peluda às 20h50 [   ] [ envie esta mensagem ]





Outro poema: Sofrer, ter dor, cair sobre espinhos, ser pego pelo Leão do Imposto de renda, sofrer um Fatality do Sub-zero, ir de férias para o Haiti - sangue, muito sangue.


Escrito por Avó Peluda às 20h40 [   ] [ envie esta mensagem ]





matar

matar matar matar

 


Escrito por Avó Peluda às 20h27 [   ] [ envie esta mensagem ]







BEZERRA DA SILVA É REI
Escrito por Avó Peluda às 18h58 [   ] [ envie esta mensagem ]





Artistas de rua



Tudo bem que o desemprego está grande, terrível, alarmante e que a Ana Paula Padrão, de segunda a sexta fala dos índices baseados em pesquisas da Fipe em São Paulo e blá blá blá blá blá.

Andando pelas ruas movimentadas do Rio de Janeiro, São Paulo, Milão, Paris, Miami, Istambul ou Atenas, sempre me deparo com artistas de rua. Do shopping para casa, de casa para o shopping, lá estão eles, fazendo malabarismos, dançando com bonecas de pano, jogando capoeira com facas tramontina, imitando artistas famosos como Reginaldo Rossi, Rita Cadilac, Sandy e Júnior, Sá e Guarabira, Rio Negro & Solimões, domando cachorrinhos poodgles - aliás os poodgles são especialistas em:

- pilotar motocicletas com jaquetas especiais e óculos escuros;
- pular corda;
- dar piruetas no ar;
- atravessar circulos de fogo;
- disputar com pulgas amestradas a atenção dos passantes da rua;
- aumentar meu ódio pela vida.

Os artistas de rua vão desde mães desesperadas que põem suas talentosas filhas louras pra imitar a Kely Kye até os assaltantes que saltam de motos em movimento pra dentro de carros também em movimento, travestis em porta-malas, entre outros. Eles estão em todo lugar, trabalham para a nossa felicidade, com shows ao ar livre:

- Há os que ficam parados, cheios de gosma num calor de setenta graus - são os artista estátua.
- Há os que imitam animais, rastejam pelo chão como cobra e sempre terminam como estátua.
- Há os que tocam músicas da Cordilheira dos Andes, músicas peruanas, músicas com flautas típicas, com bandolins típicos, roupas típicas.
- Há os que aparecem no Esporte Espetacular tentando falar "duplo scarpato pra frente" - amo, amo!

Há mais, muito mais. Eu quero ser uma artista de rua, uma estrela! Farei para todos o número da "Holandesa":

assim:

1) Avó Peluda põe uma saia bem balão

2) (Avó Peluda não tem anáguas/nada por baixo das saias)

3) Avó Peluda sai no meio da festa dando "estrelinha" e cambalhota

4) Nas "estrelinhas" ou no saudável plantar de bananeiras, a saia cai, fica na baixura do pescoço da velha que está de cabeça para baixo (ponta-cabeça, para paulistas)

5) As pernas de Peluda/peludas ficam pro ar, mostrando Avó Peluda para todos

6) Alguns batem palmas

7) Outros chamam a polícia

8 ) Outros ainda pedem o telefone de Peluda

9) Outros dizem "Repugnante"

10) Avó Peluda agradece as ovações e vai embora abrindo espaguete.



Escrito por Avó Peluda às 15h28 [   ] [ envie esta mensagem ]





Olhem o slogan da futura prefeita da minha cidade: "Eu quero GRAÇA na prefeitura. Eu quero GRAÇA na minha vida". Ela se chama Graça e me vem com essa ridiculice: "Graça é uma mulher movida pelo amor. Amor a São Gonçalo!"

 

Eu mereço isso?

 

Avó Peluda

 

Respondam: Eu mereço isso?


Escrito por Avó Peluda às 16h42 [   ] [ envie esta mensagem ]





cirilo é ídolo

Tan tan tan tan tan tan tan tan tan tntantantantan forom forom fom fom fom fom fom fom fom fom fom fom fom

Essa canção que tentei reproduzir através de tan tans e fons fons era o tema de Cirilo, o menininho que sofria o pão que Maria Joaquina amassou com os cachos louros e os olhos azuis vidrados na maldade na novelinha mexicana Carrossel.

Havia uma espécie de mistura de crítica em relação à descriminação social e racial por parte da loura que morava no bairro mais chique da Cidade do México, tinha jóias, perfume francês, seu pai era ausente e dirigia alguma grande empresa e sua mãe só queria saber de ir ao shopping e humilhar as pessoas - um clichê bem engraçado.

Cirilo não contava com o mesmo curriculum vitae, era filho de um carpinteiro que dançava rock dos anos 50 com a mulher que tinha um belo sorriso e ajudava o pequeno do dever de casa e nas lamúrias em relação à Maria Joaquina.

Num belo dia, depois de muitos "Eu só quis dizer, Maria Joaquina" que nos faziam chorar muito e dizer "Desgraçada, deve sofrer", Cirilo ganhou depois de comprar um chocolate premiado não uma entrada para a Fantástica fábrica de chocolate do Doutor Wonka, mas sim uma miniatura de carro conversível que o fez sentir-se pretenso à relação estável com a perfumada diaba. Tolinho! Ela o rejeitou e entrou pra sua mansão pra tomar, aos 10 anos de idade, champagne. Maldade.

 

 


Escrito por Avó Peluda às 15h33 [   ] [ envie esta mensagem ]





O LOBO

Tivemos um caso durante algum tempo, mas daí ele começou a querer usar minhas roupas como parte de uma fantasia e eu disse que não dava certo, que queria um lobo completo, que me entendesse, me desse carinho, atenção, não me deixasse em dúvidas quanto à sua sexualidade. Mas foi exatamente o que aconteceu - o lobo só me punha dúvidas na cabeça:

- era o/a melhor amiga/o da minha neta "CV"


- fissurado em doces, não escondia sua compulsão por chocolate - vomitava tudo depois pra "manter a forma". Um lobo com bulemia! Por que não dou certo no amor, por quê?

- além de vestir minhas roupas, queria receitas o tempo inteiro! E eu tô aí pra ficar ensinando homem a cozinhar - nem com muito Renew!

- queria escutar Amado Batista na hora do amor.

- sentiu-se acabrunhado quando resolvi fazer pieling. Fazia tudo pra ficar bonita pra ele, mas ele só queria saber de cuidar dos pêlos de homens como Toni Ramos.

Sacrificada e descrida, resolvi acabar com tudo quando o vi desse jeito, conversando com minha neta:

Diálogo:

- Por que essa maquiagem tão carregada, não é realça os seus olhos, Chapeuzinho!

- É, querido, estou mudando da Avon pra Natura! Eles usam produtos naturais!

- Hihihi. Acho que vai dar um novo valor pro teu rostinho.

- Quando comprar te empresto um pouco.

- Tchau, amiga!

- Tchau!

Escrito por Avó Peluda às 18h15 [   ] [ envie esta mensagem ]





Estou passando por problemas sérios que estão me impedindo de vir aqui:

- um acidente fez com que eu perdesse 54% do cérebro

- dores de cabeça impossíveis de se suportarem tem acabado com minha paz – façam corrente positiva;

- minha cachorrinha Bianca está com uma das patinhas infeccionada;

- as aulas de sabonetes sensuais não têm contado com muitas alunas – a falta de dinheiro está acabando comigo;

- meu terapeuta disse que a depressão deverá durar de duas a três semanas até o fígado se recuperar e o cérebro ganhar de novo aquela massa cinzenta;

- Walmor está visivelmente preocupado com minha situação;

- Estou ouvindo vozes, vendo vultos, tenho tido dores de cabeça, nada do que faço dá certo! – irei à sessão de descarrego com a presença dos 318 pastores e com o sal que vem do Mar Vermelho;

- Todas as idéias criativas que tenho tido são quando estou muito distante do computador.


Conto com o apoio de vocês. Façam uma corrente para o Avó Peluda voltar à tona, como Jason, desde o fundo do lago em cuja beira estudantes são assassinados em todas as edições de Sexta Feira 13! hahahahahahahahaha

Avó Peluda






Eu voltei, agora é pra ficar
Por que aqui aqui é meu lugar



Escrito por Avó Peluda às 18h02 [   ] [ envie esta mensagem ]



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